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Inconscientemente fez-se a maior alegoria para o Estado da Cultura deste país: fecha-se uma Feira do Livro mais cedo para se poder comemorar futebol.

Edson Arantes do Nascimento, ou "Pelé" para o Mundo
(1940 - 2022)

“Preferias Ronaldo a titular, ou ganhar o jogo de ontem. Eu diria, preferia Ronaldo a titular”. Frase da autoria de César Mourão, numa intervenção na SIC Notícias, fazendo eco a todos os chocados pela escolha de Fernando Santos em colocar CR7 no banco frente à Suiça. Entre os familiares que soltaram lamúrias e desprezo pelos restantes jogadores, como a Gonçalo Ramos, Pepe e Rafael Leão (que golaço!), que contribuíram para a vitória da seleção por um resultado 6-1, juntaram ainda comentadores à boleia da indignação de uma possível tragédia pessoal. Se um facto é, que com Ronald no banco, o jogo da Suíça demonstrou a melhor performance neste Mundial, por outro, é um fanatismo por um só jogador que convenhamos sublinhar de não se tratar de um só jogador. Ninguém rasura o que Ronaldo fez e faz para e por Portugal, aliás figura maior que um país, é certo, mas existe uma fase negação, não apenas nele, mas nos seus “seguidores” à naturalidade que vive. Ronaldo tem 37 anos, conquistou e reconquistou, porém a sua performance está descendente, daí a tragédia, porque nem um [o próprio] ou outros [os seguidores] conseguem lidar com esta “queda” e há que juntar a esta equação que adoram ver a “destruição de vacas sagradas”. Se me questionarem; preferes Ronaldo a titular ou Portugal vencer, optarei pela segunda parte sem gaguejar, o resto … bem, o resto, é estratégia, com ou sem Ronaldo. Isto é Futebol, Ronaldo é outra coisa, acima do mesmo.

Portugal "massacra" a Suíça e apura-se para os quartos-de-finais, preparando-se para defrontar Marrocos. Na manhã seguinte, o nevoeiro adensa ... sabem o que isso significa? Ele vem aí ...

Temporadas e temporadas inteiras a “enfiarem-nos” pela garganta abaixo slogans de “Não ao Racismo”, Igualdade de Género, Direitos LGBT e todas outras temáticas de Direitos Humanos, mais a desconsideração da Rússia nas suas competições, a FIFA decidiu organizar um Mundial no Qatar, país nada apoiante a tudo o que a organização supostamente defende. Contudo, a hipocrisia reina, depois de indignações, constatações e promessas de ativismo em território catariano, a FIFA solicitou para uma pausa “na política”, e prioridade no futebol, enquanto isso o antigo presidente, Joseph Blatter, declarou um “erro” a escolha do Qatar para anfitrião - EUA era o predileto na votação - e ainda apontou pressão por parte do, na altura presidente, Sarkozy para que este país do Médio Oriente acolhesse o possível maior evento futebolístico. A juntar a isso, temos ainda recentes palavras do embaixador do Mundial, o antigo jogador Khalid Salman, que referiu a “homossexualidade é uma doença mental” numa entrevista à alemã ZDF (com fins de apaziguar a situação e ao mesmo tempo aconselhar o “respeito pelas normas do país”), abruptamente interrompida após estas declarações. É de relembrar que a homossexualidade é crime no QATAR, punível a sete anos de prisão, e a morte de 6500 trabalhadores para a concepção deste Mundial, os relatórios apontam que trabalhavam e viviam em condições miseráveis.
O escritor Philip Roth escreveu a seguinte frase: “Tudo é político, até mesmo o ato de lavar os dentes é político”. Logo a presença ou não-presença de uma seleção neste evento deve ser visto como um movimento político.
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