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Gene Hackman (1930 - 2025)

por Hugo Gomes, em 27.02.25

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À semelhança de Sean Connery, Gene Hackman retirou-se das nossas vistas após um derradeiro filme que envergonharia os céus, um final indigno de uma carreira longa e duradoura. Anos e anos na discrição, pairando como um lembrete de que Hollywood albergara uma força estelar, hoje em longo processo de renovação — ou quiçá de extinção, e tal como o mencionado actor, o retorno de Hackman era uma incógnita quase sebastiana; cruzavam-se os dedos por um eventual “comeback”, por um último trabalhador merecedor do seu legado, o qual nunca chegou a acontecer. "Welcome to Mooseport" ficou com esse título, mas dele esquecemos, porque a “pegada” de Hackman foi muito maior do que qualquer nódoa no seu final de carreira. O incorruptível, o infiltrado, o mais ameaçador dos vilões e o mais fanfarrão também, o tigre da Malásia de colarinho branco, o último veterano, o eterno cowboy. Hoje, perante a sua despedida — esperada, não apenas do cinema, mas do mundo — recordar Hackman é recordar um prestígio em tela, uma galeria de filmes que, à sua maneira, marcaram Hollywood, a indústria e os espectadores. Fica a minha vénia a um gigante.

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publicado às 15:20

Marianne Faithfull (1946 - 2025)

por Hugo Gomes, em 31.01.25

 

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publicado às 15:23

David Lynch (1946 - 2025)

por Hugo Gomes, em 16.01.25

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Silencio, No hay banda!

… e agora? Quem nos dirá o tempo?

Quem interrogará o primata até sabermos o que Jack realmente fez?

Quem nos aterrorizará com prematuros fetosos ou bochechas gigamórficas?

Quem nos conduzirá pela rota das especiarias de Arrakis, ouvindo pensamentos e a salivar por Sting emergindo de vapores?

Quem poderá decifrar o mistério daquele tronco? 

Onde está Laura Palmer? 

Porquê que David Bowie desapareceu num estalar de dedos?

Porque ninguém o ouve?

Quem nos elucidará sobre as perversidades atrás das cortinas e dos veludos azuis?

Quem nos ensinará o que é ser humano, mesmo que as feições sejam monstruosas?

Quem criará coelhos antropomórficos e os soltará numa Hollywood incendiada pelas mais nefastas coincidências?

De que tem medo Laura Dern?

Quem se esconde no beco do dinner?

O que têm em comum cowboys e franceses?

O que está na caixa?

Para onde nos leva a estrada perdida?

Seguindo em frente, alcançaremos a felicidade?

 

Enigmas para os quais não desejo respostas. Desejo apenas que se mantenham como tais, enigmas. Eternos enigmas. Porque Lynch, um dos senhores absolutos da minha cinefilia (se tivesse cinco euros por cada vez que vi “Mulholland Drive", conseguiria pagar um jantar a uma equipa de futebol no Gambrinos), preencheu o meu mundo com tais mistérios. Foi com ele que, em tenra idade, descobri que o cinema não era em linha recta. Era algo além da compreensão imediata, um território onde nem todas as questões precisam do seu par solucionável.

Curiosamente, quase como uma madalena proustiana, foi perante uma turma de adolescentes que falei pela primeira vez sobre Lynch. Sobre “Twin Peaks", sobre “Dune”, sobre “Eraserhead”. Abordei Laura Palmer e os cavalos misteriosos que surgiam no seu quarto. “Sexo com solípedes?”, perguntou, chocado, um colega – estávamos na Escola Agrícola, daí o palavreado. Ficaram atónitos com aquelas descrições. Eles, sedentos de um cinema escapista, tão comestível quanto possível, não conseguiam conceber que algo tão delirante, tão ilógico, tão críptico pudesse brotar de uma tela.

David Lynch, o cineasta que, nos últimos tempos, tem sido negado financiamento – uma mostra de que mistérios estão a faltar numa Hollywood cada vez mais em linha recta. 

A ti, Lynch, as memórias, a minha perplexidade, a minha vénia. Espero que o tempo esteja maravilhoso onde quer que estejas. Possivelmente um tempo lynchiano!

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publicado às 23:39

Marisa Paredes (1946-2024)

por Hugo Gomes, em 17.12.24

Cannes 2018: no lançamento de "Petra" (Jaime Rosales), ao lado de Bárbara Lennie

Rainha almodovariana, um “empréstimo” de luxo a Manoel de Oliveira e Raúl Ruiz, nunca escondendo o amor por Portugal e pelos seus amigos portugueses (os seus regozijantes olhos após saber, num encontro em Cannes, que era português, un hermano) . Hoje despedimo-nos de Marisa Paredes, diva de uma época em que o cinema do sul europeu possuía uma certa e luminosa resistência.

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publicado às 19:49

Alain Delon (1935 - 2024)

por Hugo Gomes, em 18.08.24

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Um galã, um “adónis", um “anjo de olhos azuis”, uma figura controversa, uma “besta” disfarçada, um sedutor endiabrado, o “ator mais cool”, o senhor, o heroi e o vilão. Estas e muito mais designações ou cognomes para aquele que foi, em todas as perspetivas, uma imagem incontornável do nosso tempo, do nosso cinema, do conceito tido e fora de Hollywood de estrela de cinema. Alain Delon, com as suas enigmáticas íris azuladas, o rosto angelical petrificado o qual conservou até à sua avançada idade, sucumbiu pelas leis da Natureza, a lição é que nem ele é eterno. O primeiro Ripley do cinema, o parceiro do crime de Melville, o nêmesis da dupla da improvável Charles Bronson e Toshiro Mifune, a outra e conturbada metade de Monica Vitti em desígnios antonionianos, as suas carícias no corpo de Romy Schneider com piscina incluída, a vida, essa, maldita que lhe pesou nos ombros pela condução de Visconti, mais a nostalgia de um leopardo numa das mais belas incursões cinematográficas de sempre. Olhar para Delon é mirar cinema em toda a sua forma, e, tendo em conta o seu “ponto final”, quer o seu lado heroico, quer o seu lado ‘velhaco’, consoante a posição de quem a égide, de momento nada mais importa. O corpo vai, e o espectro, esse, emoldurado no Cinema, persiste. Longe de tudo. O cinema fazia parte do ADN de Delon, não há rosto mais patrimonial destes últimos anos que a dele.

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publicado às 10:32

A manhã vestiu-se de negro ...

por Hugo Gomes, em 15.08.24

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Gena Rowlands (1930 - 2024) em "Opening Night" (John Cassavetes, 1977)

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publicado às 09:40

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Fausto Bordalo Dias (1948-2024)

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publicado às 14:00

Paul Auster (1947 - 2024)

por Hugo Gomes, em 02.05.24

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publicado às 14:23

O elogio à persistência

por Hugo Gomes, em 18.02.24

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O opositor, o rival, o combatente, o eterno derrotado, Alexei Navalny viveu para demarcar uma posição, corajosa de facto, sobre um regime, um autocrata, uma tirania. A sua morte, “súbita” como esclarece, duvidosamente o governo russo, é uma lição com moralidades previsíveis, porém, num certo canto de poesia fatalista, um sublinhamento da dignidade humana, opor por oposição qualquer um consegue, lutar, mesmo a morte ser iminentemente o desfecho sem louros vividos, é aceitar a batalha como a digna das nossas vivências. 

Navalny ensinou-nos, possivelmente em vão, que fugir leva-nos à segurança, mas não à admiração. Um mártir … agora quero ver o Governo Russo a “descalçar esta bota”.

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publicado às 10:39

Odete Santos (1941-2023)

por Hugo Gomes, em 27.12.23

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publicado às 19:25


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